Gosto da nossa intimidade (+18)

31/03/2017

Frederico Elboni - EOH

Imagine que, por uma eventualidade, a gente se beijasse agora. E que nesse beijo, além de tesão, mordidinhas de leve, mãos que deslizam pela nuca e pelo corpo, houvesse muita esperança do que ainda está por vir. Beijos com esperança sempre têm um gosto especial. Imagine que, por um acaso, eu também quisesse te fazer uma massagem. E nessa massagem houvesse mais que pressão das mãos e das pontas dos dedos, arrepios, calafrios e uma incontrolável vontade de virar, mas de, com o peito quente, deitar nas tuas costas e com a boca perto do teu ouvido te dizer coisas que poucos sabem que você gosta de ouvir; safada, gostosa, putinha. Imagine que, numa suposição não tão distante, após te chupar e brincar de ver os seus olhos virarem feito carrossel, eu te pegasse pelas pernas e colocasse elas nos meus ombros? O final você já sabe; você sempre sabe.

Para mim você não precisa mentir. Muito menos fingir que não gosta de mordidas na parte interna das coxas. A gente se conhece tão bem, somos tão bonitos juntos. Pode me olhar com vontade de não resistir às tentações. Pode me olhar com vontade de dar; de quatro, no chuveiro, na pia da cozinha, o teu mundo. Troca energia comigo, pede tapa, pode pedir com vergonha se for o caso, mas, por favor, só não deixa de pedir. Não por mim, mas por você. Te entrega por você, vive essa experiência por você, te liberta das dúvidas, aqui elas não fazem sentido, aproveita com um sorriso no rosto, me aperta a mão se necessário, só, por favor, não deixa de morrer comigo, não guarda o tesão, nem a vontade de ser feliz; temos tão pouco tempo.

Posso te chupar todinha? Pergunta retórica, eu sei. Mas imagina comigo, vem cá... Quando você estiver, entre gemidos e olhares cerrados, com as mãos apoiadas na cama, brincando de se contorcer, e espiando para baixo em busca de encontrar os meus melhores olhares, eu estarei ali, com um meio sorriso, te assistindo, com aquela cara de "calma, ainda nem comecei...". Eu sei, poderíamos falar fazer um oral, mas a gente gosta mesmo é de chupar, de falar em tom vulgar, pois é assim que os arrepios acontecem. Poderíamos falar fazer sexo, mas você gosta é mesmo de ouvir que eu estou a fim de te comer todinha, no diminutivo mesmo, pois é assim que o tesão brinca de ser hiato na paixão. Somos lindos juntos, pois não somos só sexo na pia da cozinha, somos alegria de encontro; não somos só um beijo de final de semana, somos entrega verdadeira e retiro de amor; não somos promessas e palavras torpes, mas silêncio seguido de um olhar que soletra tão bem as linhas tortas do coração; somos o que muitos gostariam de ser, mas não são, pois têm medo de ser.

Gosto da nossa intimidade e da maneira que posso dividir as minhas vontades e sonhos com você, mas, principalmente, de como a gente se perde na cama e faz dos lençóis cachoeira. Se entregar para alguém que tenha sintonia conosco é sempre um prato que comemos com brilho nos olhos. Qual a graça de mergulhar no corpo sem mergulhar no coração? Eu gosto de você, pois você sabe se entregar, se livrar dos próprios preconceitos, e pouco se importa com o que vou pensar de você. Até porque sabe que só irei pensar o melhor, independente das loucuras que fizermos. Na nossa intimidade há loucuras, putarias, mas também há amor. E de putaria a gente entende. De respeito a gente dá aula. E sobre amor a gente pode escrever um livro. É, eu já escrevi... Mas a gente escreve outros juntos, que tal?